O São João de São Luís é bem diferente de tudo o que se vê pelo Brasil a fora. E não só tem bumba meu boi, como muitos pensam por aí. Tem cacuriá, dança do coco, dana do lelê, tambor de crioula, além da dança portuguesa (que não me agrada muito). Há espaço para tudo. Mas, com certeza, é o boi que domina os terreiros da cidade.

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No Maranhão, o bumba meu boi é do São João, o santo padroeiro da “brincadeira”, que é criada como forma de promessa. O auto do bumba meu boi é uma representação fiel da reunião da cultura dos povos que formaram o estado: o negro, o índio e o branco. Retrata as relações socioeconômicas que existiam no Nordeste no final do século XIX quando a criação de gado era a mola motriz da economia, apoiada no regime da escravidão.

A manifestação folclórica é uma espécie de ópera popular que se desenvolve em torno do desejo de Catirina, uma negra que trabalha na fazenda de um rico fazendeiro. Grávida, ele diz ao marido, Pai Francisco, que quer comer a língua do boi mais querido do patrão. Para não fazer a desfeita à mulher, ele mata o Mimoso.

Quando o amo descobre que seu animal está morto, manda seus vaqueiros apanhar o culpado. E vão atrás de Pai Francisco, que é descoberto. Este, para não morrer, diz conhecer um pajé que poderá ressuscitar o novilho. O que de fato acontece. O poderoso índio cura o Mimoso, que se levanta e dá um grande urro para a alegria de todos.

A representação do auto do bumba meu boi já não é mais tão frequente nas apresentações dos grupos pela cidade, resumindo-se às danças e narrações curtas da história de Pai Francisco e Mãe Catirina.

Mais as apresentações dos bois maranhenses diferem de um grupo para outro, ou melhor, de um sotaque para outro, que representam os estilos, as formas, as expressões de cada grupo. Ao todo são cinco sotaques principais que possuem ritmos, indumentárias, instrumentos, toadas e danças próprios. São eles: sotaque de matraca, sotaque de zabumba, sotaque da baixada, sotaque de costa de mão e sotaque de orquestra. Existem ainda registros de variações de sotaques no interior do estado.

Só para se ter uma ideia, são mais de 200 grupos em todo o estado. Em São Luís, as apresentações se concentram especialmente nos arraiais no Centro Histórico da cidade. Mas existem dezenas de terreiros espalhados por outros cantos da cidade. Aproveite para comer os pratos típicos com arroz de cuxá, torta de caranguejo e vatapá. Tudo um delícia!!!

Imagem: Diego Chaves

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