Quando me convidaram para rafting, eu realmente pensei duas vezes antes de aceitar o convite. Mas bem, apesar do receio de sei lá o que, eu fui. Entramos no micro-ônibus saindo do bairro da Bellavista em direção a San José de Maipo, uma cidadezinha na região metropolitana de Santiago, à uma hora da capital. A viagem foi tranquila. Mas o sol que fazia foi se apagando e dando lugar a uma chuva que poderia estragar o passeio.

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Eu estava meio ansioso, para não dizer nervoso, sobre o que me esperava. Eu realmente estava mais empolgado pela ideia do que em querer fazer a tal descida pelo rio Maipo. Chegamos por volta de 11h. Foi o tempo de prepararem um almoço, que estava incluso no pacote. Ah, esse pacote foi ofertado pela Escola de Idiomas onde fazia o intercâmbio. O almoço não foi lá aquelas coisas. Uma salada de maionese e carne assada. Mas não deu para quem quis. Depois tivemos que comprar mais comida numa mercearia próxima ao QG da empresa que realizava os esportes radicais.

A chuva engrossou um pouco, depois foi afinando. Nesse meio tempo, aproveitamos para conhecer um pouquinho da cidade. Fomos à pracinha, onde havia umas mesas de pebolim meio artesanais. Compramos algumas fichas e jogamos. Andamos um pouco mais depois voltamos para a empresa e nos arrumar.

roteirospossiveis77Vestimos os trajes, que eram térmicos, e entramos no ônibus para mais alguns minutos chegarmos ao ponto em que o passeio começaria. Descemos e aí sim meu coração começou a acelerar. Meu Deus, onde eu fui me enfiar. Só pensava nisso. Entramos no rio, e ali já sentimos a primeira dificuldade, a água gelada. Como era gelada!! O rio era formado a partir do derretimento da neve que cobria a Cordilheira dos Andes. Imagine só se não tivéssemos usando aquelas roupas térmicas.

O instrutor – muito casmurro por sinal – nos contou como deveríamos proceder, nos dizendo as palavras de ordem, para seguir em frente, virar ou parar. E tudo mais o que precisávamos para chegar ao fim do trajeto sãos e salvos. Eu realmente não sabia se conseguiria fazer o que ele nos disse. Pensei em desistir, mas tive que ir. E fui.

Houve momentos de tensão, quando as pedras e as corredeiras pareciam que iria virar o bote. Era nesses momentos que a água entrava na roupa e deixava o corpo arrepiado pelo frio. As mãos pareciam que estavam congeladas. Acho que a adrenalina impedia que isso acontecesse de fato.

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Em determinado momento do trajeto, os botes que vinham em comboio param perto de um desfiladeiro. Todos descem dos botes e são obrigados a nadar até o chão firme. Para quê? Você me pergunta. Para pular do alto de um morro no rio de correntezas forte e gélido. Fui subindo pensando que seria fácil. Mas quando chego lá em cima eu não encontrava coragem suficiente. Pulou 1, pulou 2, pularem uns 15 e eu precisava pular. Somente algumas meninas haviam desistido.

Bem, olhei pra baixo. Parecia que tinha mais 10 metros de altura. Mas depois fui saber que tinha um pouco menos de 4 metros. Tomei coragem e pulei. Foram pouco menos de 5 segundos até chegar ao rio, mas foram 5 minutos de maior emoção da minha vida. Confesso. Tentei pular reto. Mas o vento foi me desajeitando no ar. Quando cheguei ao rio afundei bastante. E lá em baixo a correnteza parecia ainda mais forte. Eu me senti meio sufocado. O frio parecia cortar ainda mais o ar dos pulmões. Voltei para a superfície e nadei rapidamente para o bote. Havia alguns instrutores nos guardando ali em baixo com cordas de segurança.

Enfim, o passeio continuou e alguns minutos depois, quando chegou ao fim, quando eu comecei a me acostumar com tudo aquilo, estava na hora de ir embora. Essa foi uma experiência surpreendentemente maravilhosa. E quero muito repetir isso. Talvez aqui no Brasil, onde as águas sejam mais quentinhas.

Existem algumas empresas que fazem esse tipo de passeio radical. Uma delas é a Chile Rafting Cajon del Maipo. Veja os preços e passeios aqui no site deles: https://www.chilerafting.cl/rafting-full-maipo.

P.S.: Todo o rafting foi fotografado pela empresa, que cobrou mais uns pesos pelas imagens. Um amigo pagou e compartilhou. Infelizmente as minhas imagens do Chile, como venho contando, se perderam em um mundo paralelo. As que tenho são as postadas nas redes sociais e as que foram impressas para o álbum de família. Por isso a baixa qualidade da imagens.

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