Fui para o Chile sem muitas expectativas. Surgiu uma promoção e me arrisquei a ir para lá. Mas confesso que minhas expectativas foram superadas quando eu coloquei os pés nas ruas da capital Santiago. A cidade me pareceu muito receptiva, com clima agradável e muito organizada, de povo gentil e educado.

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Novamente aproveitei a viagem para aprimorar o espanhol e acabei me matriculando num curso de imersão na mesma escola que fiz o intercâmbio na Argentina, a ECELA. Desta vez, fui sozinho. Foi uma viagem de custo relativamente baixo, considerando o preço das passagens internacionais saindo de São Luís, no extremo norte do país.

Como já conhecia os tramites da escola de idiomas, fiz tudo com antecedência de dois meses. Seria uma viagem mais curta que a de Buenos Aires. Somente 10 dias. Mas acreditava que seria suficiente para conhecer Santiago e as cidades vizinhas. Escolhi ficar novamente em apartamento, com um quarto individual. Creio que é a opção mais segura. Mas depois me arrependi de não ter ficado na casa de estudante onde estavam as pessoas da minha turma. Um povo muito gente boa.

Mas bem… como já é de praxe nas minhas viagens internacionais, alguns perrengues aconteceram. Saí de São Luís para São Paulo, onde faria a conexão para Santiago. No meio do caminho, uma tempestade deixou o horizonte sem muita visibilidade, impedindo o avião de aterrissar. Então, ficamos um pouco mais de meia hora rodando que nem urubu sobre a carniça em cima do aeroporto. Até que o comandante avisou: “Senhores, passageiros, teremos de fazer um pouso em São José dos Campos, porque nosso combustível está acabando. E aguardaremos lá enquanto o mal tempo em Guarulhos passa”. E isso durou pelo menos duas horas.

Ficamos estacionados no pátio do aeroporto de São José por uma hora e pouquinho até retornarmos para Guarulhos. Por mim, tudo bem. O que não me agradava era a possibilidade de perder a conexão. O tempo de espera era de 3 horas entre um voo e outro. Mas essas três horas já estava se esgotando. Chegamos a Guarulhos e saímos correndo. E ainda tinha de fazer um novo despacho de malas. E não adiantou tanta correria. Quando chegamos ao saguão, um dos funcionários da empresa nos esperava. Quando digo que nos esperava era porque não somente eu, mas pelo menos 20 pessoas que estavam naquele avião haviam perdido o voo para Santiago. Muita gente ficou enfurecida. Mas o que fazer? O jeito era esperar o próximo voo que sairia 7 da manhã. Isso era umas dez horas da noite.

Nesse meio tempo uma confusão envolvendo as malas deixou todo mundo ainda mais cansado. A Latam disse que cuidaria das bagagens e que seriam entregues na volta do hotel. Uma senhora, que tinha o filho com algum tipo de deficiência, queria as bagagens porque precisava de coisas que estavam lá, como remédios para o garoto. Outras pessoas também pediram, mas a empresa só deu as bolsas da tal senhora. A única sortuda, porque isso nos causará um problema enorme mais a frente, como relatarei.

Fomos ao hotel indicado pela Latam, e mais perrengues nos aguardavam. Primeiro, só havia dois carros que levavam os passageiros para o tal hotel. Ficamos aguardando quase quarenta minutos no ponto em que foi indicado. Quando conseguimos pegar a van, já passava da meia noite. Chegamos mortos de fome ao hotel e para nossa decepção o serviço do restaurante tinha sido encerrado. O que eles nos ofereceram foi um hambúrguer. Por mim tudo bem, mas teve gente que não gostou nem um pouco. Antes de subir para o quarto fomos avisados que a van que nos levaria para o aeroporto tinha horários estabelecidos: 4h e 6h. Como nosso voo era às 7h, teríamos de pegar os das 4h, para não corrermos o risco de perder o voo. Se escolhêssemos o outro, não teríamos tempo para o despache das malas.

Às 4h já estava de pé no saguão do hotel a espera do motorista, que atrasou uns 15 minutos. Mas finalmente conseguimos embarcar. Detalhe. Quando chegamos, fomos avisados que as bagagens já haviam sido despachadas pela própria empresa. Ficamos mais tranquilos. Maaas… Ao chegar a Santiago, depois de ver aquelas belas imagens das Cordilheiras dos Andes do alto, descobrimos que as bagagens não seguiram conosco. Depois que passamos pela imigração, a confusão geral se avolumou. E o portunhol tomou conta daquele saguão. O staff do Chile disse que mandaria nossas bagagens para o hotel em que ficaríamos logo que elas chegassem a Santiago. Tivemos que preencher um formulário a mão, porque o sistema estava fora do ar, e seguir todo um protocolo que demorou umas 3 horas, já que eram muitos na fila. A minha preocupação era com a equipe da escola que me esperava no apartamento desde cedo da manhã. Infelizmente os números que me deram não completavam a ligação e eu não consegui avisá-los do imprevisto.

santiago mauricio vegaSaí do aeroporto e peguei um ônibus que me levaria até uma estação de metro Pajaritos. Muito tranquilo o translado. Ficaria hospedado em um apartamento no bairro Providência, em um condomínio entres as estações Pedro de Valdivia e Manuel Montt. Foi uma luta para achar o endereço que não batia com o mapa e com as informações que eu tinha. A rua era Carlos Antunes, mas nenhum imóvel tinha o número do prédio. Depois de meia hora rodando, pedi informação a um senhor que cuidava do jardim de um condomínio. Ele me explicou que o prédio que eu procurava ficava mais ao fundo daquele condomínio. O fato é que cada bloco do condomínio tinha um número, e eles não seguiam um ordem muito lógica. Ele abriu a porta e eu andei mais uns metros para encontrar o bloco (o último, por sinal). Finalmente havia chegado. Subi pelo elevador e a dona do apartamento me esperava (bem chateada, com razão). Tive que explicar tudo o que aconteceu. Ela entendeu e me disse que eu deveria ter entrado pela rua lateral, chamada Dr. Luis Middleton. E realmente seria mais fácil.

O apartamento era muito bacana. Eu dividiria o apartamento com mais duas pessoas. Um espanhol que faria mestrado e um argentino que procurava emprego na região. Depois disso, fiz reconhecimento do local à procura de comida e de um lugar que pudesse comprar escova de dente, pasta, desodorante e uma muda de roupa. Parece que eu não havia aprendido com Buenos Aires, quando minha mala tinha sido extraviada.

roteirospossiveis63Num rápido passeio pelas ruas da Providência, a minha alegria começava a voltar. Não sei quanto aos outros bairros, mas aquele distrito era muito organizado, limpo e cheio de opções de lazer e de comércio. Fiz uma pequena compra no mercado para sobreviver àqueles dias e comprei roupas para tomar um banho. As minhas malas só foram chegar dois dias depois. Antes disso, retornei ao aeroporto no dia seguinte e não obtive nenhuma resposta da companhia aérea. Parece que eles não estavam me dando a menor importância.

santiago blog dicas de chileDepois que a mala chegou, dois dias depois, tentei pedir indenização da Latam pelos gastos extras. Avisaram que eu deveria fazer isso no Brasil. Quando retornei, o pessoal daqui disse que era para ter iniciado o processo no Chile. Como eu não queria me poupar de mais chateações, resolvi deixar pra lá. Mas ficou o aprendizado: sempre que viajar, coloque uma muda de roupa na bagagem de mão para casos como esse e um kit de higiene pequeno, já que os produtos com mais de 100 ml devem ser despachados em viagens internacionais.

Nos próximos posts conto como foram os dias mais legais em Santiago e as experiências que eu vivi nessa viagem. Hasta luego!

PS: As fotos dessa viagem se perderam. As poucas que tenho são as salvas em redes sociais. Assim, vou ter de usar muitas imagens reproduzidas da internet, como as do Mauricio Vega e do blog Dicas Chile, que estão neste post.

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