Sair de São Luís um pouco e sentir um friozinho seria uma boa pedida para a minha viagem durante o inverno portenho. Mas acho que pedi demais. Nunca tinha imaginado que usaria três camadas de roupas e ainda continuaria sentindo frio na minha vida. Pois é, viajantes, encontrei uma Buenos Aires com -1°C e tinha lá minhas dúvidas se era bom mesmo estar ali durante o inverno. A partir desse momento comecei a entender o porquê de os franceses terem o estranho hábito de evitar o banho.

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Passava a maior parte do tempo na rua. Mas como bom nordestino que sou tinha de tomar pelos menos dois banhos diários. Existia água quente, tudo bem! Mas mesmo assim o frio não deixava de incomodar. Saía debaixo do chuveiro e vinha aquele vento frio de arrepiar a espinha. E corria para vestir a roupa. Para ficar dentro de casa, onde havia aquecedor, usava apenas uma camiseta. Mas para sair à rua, só ela não bastava. Era preciso mais uma malha e o casaco, pelo menos, além do gorro e das luvas.

Ficava com inveja era de um povo usando os protetores de orelha. Seriam bem vindos, mas acabei não comprando. O vento frio queimava o rosto enquanto andava pelas ruas da cidade. E eu tenho a pele negra. Fico imaginando as pessoas com a pela mais clara. O resultado não devia agradar muito. O melhor era parar em um café, tomar um bom chocolate quente e torcer para que o dia esquentasse. Quanto mais tarde ia ficando, o sol começava a esquentar e meu ânimo ia melhorando. Dava até para tirar o casaco. Mas isso não durava muito tempo.

Pior era à noite, na hora de dormir. No primeiro e no segundo dia tive o atrevimento de dormir somente com o pijama. Mas depois a calça dia começou a ser minha fiel companheira das noites mal dormidas. Sinceramente, parecia que haviam derramado litros de água sobre meu colchão. Era úmido demais. Era frio de mais. Já estava sentindo falta da quentura cáustica de São Luís. Não reparei o termômetro nessas horas, mas com certeza havia noite que a temperatura baixava muito mais.

Fui guerreiro. Porém, mais guerreiro do que eu eram alguns moradores em situação de rua que encontrei por lá, deitados nas calçadas de pedra. Um delas ainda se divertia tranquilamente lendo um livro, não dando a mínima para os graus abaixo de zero, enquanto eu lutava para ganhar um lugar ao sol.

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