Como professor de língua estrangeira era fundamental que eu tivesse uma experiência em um país “hispanohablante”. Quando me formei, achei que era o momento certo. E fui com a cara e a coragem. Mas antes disso, algum medo rolou. Afinal seria minha primeira viagem para fora do Brasil.

Foram alguns meses pesquisando e avaliando escolas de idiomas na internet. Não queria fazer o intercâmbio por intermédio de agências especializadas. Seria muito mais caro e comigo o lema é “economizar para usufruir mais”. Não estou certo? Bem. Daí partir para a busca das escolas. Descartei a possibilidade de fazer na Espanha. Para uma primeira viagem, a América Latina estava de bom tamanho. Visitei os sites de dezenas de escolas, entre elas a Enforex e a Encela. Acabei escolhendo esta última. Fiz os cálculos e tudo estava se encaixando no meu bolso. Graças a Deus.

Mas antes de pagar, fui como qualquer pessoa desconfiada vasculhar a internet atrás de informações rezando para não encontrar nada que me fizesse desconfiar da instituição. Vi os depoimentos dos ex-alunos e a comparei as opiniões. Para meu alívio, tudo estava bem. Mantive antes contato com alguns coordenadores da escola pelo e-mail. Foi então que se aproximando as datas eu fechei contrato com a Ecela. Fiz a matrícula pagando uma taxa. O resto pagaria quando chegasse.

Decidi que faria duas semanas de aulas intensivas. Pela manhã teria aula em grupos. E pela tarde teria 1 hora de aulas particulares. Isso me custou aproximadamente $320 dólares. O que dá direito ao material didático. Mas ainda teria de pagar as acomodações. A melhor pedida para mim foi ficar em um apartamento da escola. Paguei mais $280 dólares. Nessa época um dólar variava entre R$ 2,00 e R$ 2,10.  Então, acabou sendo uma bagatela.

Quem for menor de idade, vai ter de ficar em casa de família. E se você for em grupo, considere a possibilidade de alugar um apartamento. Esta opção pode ser muito mais vantajosa. Tanto em Buenos Aires quanto no Chile, há uma infinidade de casas e apartamentos para aluguel de temporada a preços muito acessíveis. Dividindo o valor sai bem mais barato.

O mais caro mesmo foi a passagem de avião. Quem mora no Nordeste sofre bastante com isso. Desembolsei R$ 1200 pela viagem (parcelado em 6x, é bom lembrar). Quem está no eixo sudeste consegue tarifas mais em conta e ainda têm a possibilidade de ir de carro ou ônibus.

Até então eu iria sozinho, mas no meio do caminho o Léo, meu irmão camarada, decidiu viajar também e fazer o curso comigo. Apesar de ele não ter viajado exatamente comigo, porque ele teve problema com a identidade dele (coisas de marinheiros de primeira viagem). Acabei chegando sozinho em Buenos Aires, sem minhas malas, que não saíram de Guarulhos, e sem meu amigo, que só sairia de São Luís no dia seguinte. Cheguei ao Aeroporto Ezeiza por volta das 15h de uma quinta-feira e fui só com a mochila para o apartamento. A minha bagagem chegaria, segundo a TAM, na manhã de sexta-feira bem cedo no endereço que indiquei. De fato chegou. O Léo chegaria somente no sábado pela manhã.

Aproveitei a sexta-feira para fazer reconhecimento da área. O apartamento ficava instalado numa das avenidas mais movimentadas de Buenos Aires, a Avenida Corrientes, nº 1918. Um sobradinho de três andares, bem antigo. Encontrei lá 3 brasileiros, de Recife. No fim das contas ficamos 5 brasileiros no apartamento. Decidi ir caminhando até a escola. O percurso durava cerca de 10 minutos. Mas no inverno, no frio que faz de manhã cedo, minhas pernas, que tremiam mais que vara verde, demoravam um pouco mais para chegar. E finalmente conheci a Escela. É… realmente ela existia; não era só de fachada. Ufa!

Bem, no fim das contas, fiz um teste de nivelamento e fui indicado para uma das turmas. O professor era o Pablo. Havia quatro outros alunos na turma: dois americanos, uma suíça e o outro eu realmente não lembro a qual país pertencia. Pela tarde, as minhas classes eram com a simpática Sonia. Tinha o fim da tarde e a noite para fazer os passeios e conhecer a cidade. Fora os finais de semana. Ao todo foram 17 dias em Buenos Aires. Se pensar em fazer as aulas lá, verifique os feriados, porque a Ecela considera o feriado como dia trabalhado.

Ainda levei R$ 1500 para sobreviver esses dias por lá. Confesso que sobrou um bom dinheiro. E olha que as coisas por lá não eram tão baratas, não. Nunca me esqueci de ter pagado o equivalente a R$ 12 por um copo de suco de laranja. Mas precisava fazer isso. Já não aguentava suco artificial. Ah, prepare-se para engordar uns quilos, porque a comida deles não é nada saudável. As refeições se resumem basicamente a carne, batata-frita, pizza e empanas.

A Argentina não é o melhor país do mundo. Houve pontos negativos da viagem em si, mas no todo a experiência foi muito boa. Tão boa que mais tarde resolvi fazer um novo curso, mas desta vez em Santiago, no Chile. Mas isso eu conto em outra oportunidade.

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